tenho estado um pouco sem tempo pra postar essa semana – tenho me dedicado a um projeto profissional que, se der certo, terei o maior prazer em anunciar aqui no blog.
Enquanto isso, deixo a partitura de uma composição minha (uma parceria com meu camarada Rodrigo Penna Firme).
“Como Diz o Francês” é um baião bem simples, mas com progressões harmônicas (em geral) bem características do gênero. Sei que muitos amigos contrabaixistas e músicos em geral procuram partituras de composições desse estilo para poderem tocar, estudar e se aprofundar, então achei que seria uma boa pedida para esse meio de semana um pouco conturbado. Com relação ao gênero musical, só posso dizer que sou apaixonado por Baião e Forró, e tenho a sorte de tocar esses estilos profissionalmente há praticamente 10 anos. Até sanfoneiro de uma banda de forró instrumental eu já fui!
Recomendo aos amigos que aprendam a tocar a melodia também, e acho fundamental aprender a harmonia de qualquer música que estamos estudando em algum instrumento harmônico (de preferência o piano). Até amanhã postarei um arquivo com montagens de piano para os acordes desse tema.
Deixo aqui o arquivo pdf da música e o áudio de uma gravação ao vivo realizada em 2008 no Cantinho da Fofoca, na Lapa, RJ. Tocam comigo na gravação Cassius Tepherson (bateria), René Rossano (guitarra), Rodrigo Penna Firme (violão) e Pedro Pamplona (flauta).
[Mais um post recuperado do meu antigo blog, uma fonte infinita de repertório para baixistas tocarem em seus grupos. Fundamental para qualquer músico que curte música instrumental barsileira. Além das partituras, traz um seção muito importante sobre a cifragem usada por Hermeto Pascoal e Itiberê Zwarg - pra quem não sabe, baixista do grupo do Hermeto há mais de 30 anos.]
Olá!!
É com grande prazer que escrevo esse post tão aguardado! Após algum tempo aprendendo a operar o scanner de forma satisfatória, aí está o Caderno de Partituras das Oficinas de Música Universal de Itiberê Zwarg. Contendo 20 músicas compostas nas Oficinas (que acontecem semanalmente na escola de música Pro Arte, no Rio de Janeiro) e importantes depoimentos do próprio Itiberê a respeito do processo de trabalho com os alunos e sobre o sistema de cifragem criado por Hermeto Pascoal e utilizado no livro, o Caderno de Partituras registra um pouco de todo o trabalho desenvolvido por Itiberê ao longo de 5 anos. Já falei isso em outros posts, mas é bom lembrar: Todas essas músicas foram compostas na frente dos alunos – eu mesmo estava presente no nascimento de muitas delas. Assistir o Itiberê trazendo esses sons incríveis pro mundo é uma experiência intensa que justifica uma visita às Oficinas, não só para os músicos, mas para todos!
Para mim é uma grande honra poder ajudar, ainda que modestamente, a espalhar a música do meu mestre musical (e de inúmeros outros músicos espalhados pelo mundo), creio que esse Caderno de Partituras é importantíssimo, por ser o primeiro material didático dedicado à obra do Itiberê. Além disso, participei por 6 anos das Oficinas desde seu início, e tenho um envolvimento de alma com o som que rola por lá… Portanto, sei da importância desse material e de sua difusão, para que músicos de todo o mundo tenham a oportunidade de tocar, sentir, curtir, amar, absorver e espalhar essa música pelo mundo.
Preparem-se para uma viagem por sons inesquecíveis!!
Aproveito a postagem da primeira transcrição aqui no blog para ressaltar a importância de se criar o hábito de tirar, de ouvido, músicas, linhas de baixo, improvisos ou qualquer outra coisa. Certamente esse é o “estudo” que tem mais resultado para o desenvolvimento de qualquer músico, por conter o pacote completo – ouvido, vizualisação, técnica, vocabulário – tudo isso de uma só vez.
Aconselho aos amigos baixistas a transcrever partes de outros instrumentos também, e em breve postarei uma transcrição de um improviso de sanfona que tirei de um disco do Adriano Giffoni recentemente. Escolha algo que te agrada e caia dentro! Cada coisa que você transcrever vai ser como subir e descer uma montanha – dá um trabalho danado e cansa, mas ninguém sai o mesmo depois! Sai, no mínimo, com as pernas mais fortes…
Para ajudar nessa tarefa, aconselho que baixem um programinha gratuito e muito simples chamado Transcribe. Realmente tem me ajudado muito, pois além de desacelerar as músicas, é fácil e simples de usar.
Bem, a transcrição de hoje é uma contribuição do meu camarada Lucas Fernandes, baixista de Brasília. Como eu, Lucas é um batalhador em divulgar o baixo brasileiro na Internet, sempre tendo boas idéias e durante algum tempo manteve o blog Brazuca Bass. Hoje em dia, é moderador do Fórum ContrabaixoBR.
Lucas transcreveu a linha de baixo de Luizão Maia para o clássico samba “A Rita” de Chico Buarque, na interpretação de Nara Leão em faixa do disco “Com Açúcar Com Afeto”, de 1980. Aqui a música aparece com um arranjo diferente, com uma levada de Sambaião e algumas frases escritas pro baixo acompanhando as convenções entre as repetições (semelhantes as frases de violão de 7 cordas). Aproveito para recomendar o disco que é ótimo, todo dedicado às composições de Chico Buarque. Além de Luizão e Jamil Joanes no baixo, o disco conta com arranjos de Octávio Burnier e uma série de grandes músicos. Recomendo o download da conversão do vinil disponível no Loronix.
Obviamente temos aqui uma maravilhosa linha de baixo, com todo o suíngue e o bom gosto do mestre Luizão. Sempre na medida certa do que a música precisa, sem tirar nem pôr.
Olá, em nossa primeira aula aqui no blog, começamos uma caminhada em direção ao desenvolvimento de uma habilidade essencial para qualquer músico popular: A capacidade de improvisar. Para alcançarmos esse objetivo, muitos trabalhos diferentes precisam ser realizados e em alguns deles sou só um bebê. Mas creio que orientações corretas podem levar a um resultado muito mais sólido, de forma muito mais prazerosa, e infelizmente não encontro esse tipo de orientação na maioria dos métodos que conheço sobre o tema. Ao longo de minha vida, muito pesquisei sobre o assunto, e após anos de tentativas, entre erros e acertos, acho que aprendi um caminho bem bacana para que possamos nos desenvolver como músicos. Acho que isso é o mais importante: estarmos sempre nos desenvolvendo e aplicando música ao nosso instrumento.
Antes de começar, gostaria de comentar duas coisas que poderão notar ao longo dessas aulas: a primeira é a ausência de qualquer estudo ligado à escalas. Penso que elas tem sua importância (para o desenvolvimento técnico e para o estudo de percepção), mas creio que tem pouca utilidade para o estudo da improvisação. Acredito que estudos de arpejos tem muito mais relevância, uma vez que estão mais profundamente ligados à harmonia. Além disso, livros e sites com estudos de escalas são facilmente encontrados por aí.
Esse é o segundo ponto que preciso ressaltar: Não existe músico, em especial baixista, que não estude harmonia. E por estudar harmonia não quero dizer estudar teoria musical relativa aos acordes. Me refiro à uma intimidade auditiva com os acordes que precisa ser desenvolvida por qualquer músico interessado em improvisar. Para isso, em todas as aulas escreverei, além das cifras, montagens de piano para cada acorde das progressões, com montagens utilizadas no mundo real, funcionando como uma espécie de “curso de piano prático para não pianistas”. Como disse o legendário baixista e educador Rufus Reid: “eu não toco piano, mas sou amigo e estou sempre em contato com ele”. Rufus é um dos baixistas que em seu fundamental método “The Evolving Bassist”, ressalta a importância de se desenvolver uma “amizade” com os acordes ao piano.
Bom, dito isso, vamos colocar as mãos na massa. O estudo de hoje foi criado em cima da harmonia do standard “Blue Bossa”, de Kenny Dorham. Esse é o meu método para destrinchar as harmonias de músicas com mudanças de acordes. Esses exercícios não tem nenhuma aplicação prática (você nunca vai tocá-los em nenhuma música), mas seus resultados para a visualização das mudanças harmônicas no braço e para a assimilação do som da harmonia pelo cérebro e pelos ouvidos é notável. Conceitualmente é muito simples, mas sua realização no instrumento é que promove os resultados.
Para cada acorde da música, tocaremos os arpejos de 4 notas (T 3 5 7 ou T 3 5 6) referentes a cada um deles. No primeiro exemplo, tocamos os arpejos em estado fundamental; no segundo, na 1a Inversão (3a no grave), e depois em 2a e 3a Inversões (5a e 7a ou 6a no grave, respectivamente).
Base Harmônica (Clique com botão direito + “Salvar Destino Como”)
Com isso, seremos capazes de vizualizar as mudanças harmônicas por todo o braço, e de várias formas diferentes. Além disso, ficamos com a harmonia absolutamente entranhada nos ouvidos, uma vez que a cercamos por todos os lados possíveis. Os exercícios podem ser tocados no tempo, com metrônomo, mas o mais importante é realizá-los, devagar, dando tempo para cérebro, dedos e ouvido assimilarem a informação. Desse modo, o estudo passa a ser realmente cumulativo. O ideal é que os exemplos sejam cantados tocando os acordes no piano, em especial o número 1. Não canso de falar da importância de se aprender esses acordes ao piano, sua intimidade com a música só vai crescer e você vai se tornar um baixista muito mais consciente harmonicamente.
Deixo aqui para audição os 4 exemplos, suas partituras pra download (clique sobre o nome do exemplo) e um acompanhamento harmônico para ser usado para estudo. Vocês poderão ver que não coloquei nenhuma tablatura ou digitação, descobrir esses shapes no braço faz parte do estudo. As oitavas são opcionais e o andamento, hipotético.
Pra terminar a aula de hoje, deixo uma frase do meu mestre Itiberê Zwarg:
”Pra se tornar um grande baixista, não é preciso estudar ou idolatrar ninguém. Devemos cultuar e estudar os elementos da música em nossas cabeças e em nossos instrumentos – Ritmo, Harmonia e Melodia. O resto deixa que eles fazem!”
hoje gostaria de falar sobre um tema muito interessante que são os arpejos de acordes, suas inversões e aplicações melódicas. Mais do que isso, vou falar sobre como peças barrocas podem ser utilizadas como ótimo material de estudo nessas áreas.
Sempre ouvi músicos (especialmente estrangeiros) recomendando que instrumentistas de música popular estudassem peças de Bach e outros compositores barrocos como forma de aprender os desenhos dos arpejos e suas aplicações práticas. Na verdade sempre me fez total sentido, uma vez que muitas composições barrocas (em especial as para instrumento solo) são totalmente baseadas em arpejos e suas inversões, em movimento rítmico constante, e o que ouvimos é melodia-harmonia em uma só textura, harmonia em movimento, por assim dizer.
Quando comecei a estudar esse tipo de peça, realmente pude compreender porque aqueles músicos recomendavam esse tipo de estudo. Aplicar esse tipo de melodia ao contrabaixo é uma maneira eficaz e divertida (pelo menos pra mim) de se aprender a aplicação dos arpejos, os desenhos pelo braço e - o mais importante – o som dessas coisas todas.
Entre algumas das peças desse estilo que estudei, deixo aqui as partituras de 3 delas. Uma é um prelúdio muito conhecido de Bach. É importante analisar os arpejos presentes na melodia e transpor esses “shapes” para outras tonalidades de forma isolada, assim o estudo tem muito mais resultado.
As duas outras foram criadas com inspiração na música do período Barroco, uma delas (composta por Tommy Shannon, do Double Trouble) é um estudo de arpejos bem simples em Lá menor.
O outro, o mais difícil dos três, é o “Prelúdio em Cm” do mestre Nico Assumpção. Além de dificuldades técnicas, esse estudo apresenta uma rítmica mais complexa que os outros dois, e é importante (sobretudo entre os compassos 29 e 35) memorizar o sentido rítmico das frases, uma vez que os compassos mudam mas a escrita está toda em 3/4. Recomendo a seguinte ordem: 1-Classical Gas (Tommy Shannon), 2-C Major Prelude (Bach), 3-Prelúdio em Cm (Nico Assumpção).
Para estudos similares com uma característica mais brazuca, recomendo o estudo de melodias de choro, em especial as do mestre Pixinguinha. São totalmente baseadas em arpejos, e ao estudá-las podemos acessar esse material manipulado por um grande mestre.
Essa é a grande “moral da história” desses estudos. Em última instância, temos a oportunidade de entrar na cabeças de mestres como Bach, Nico ou Pixinguinha e descobrir como eles transformaram esses arpejos em música! E é isso que queremos tocar em nosso instrumento. Música!! Qualquer dúvida estamos aí.