Archive for the 'Para Ouvir' Category

Marcos Amorim - Poesia na Guitarra Brasileira

Marcos Amorim - Divulgação

Olá,

no post de hoje, gostaria de recomendar o trabalho de um grande músico, que além de grande artista, foi e é um grande mestre pra mim.

Procurei o compositor/guitarrista/violonista Marcos Amorim em 1999 para ter aulas de improvisação e violão, e suas lições acabaram superando esses tópicos, que se tornaram ponto de partida para outros ensinamentos, muito mais importantes.

Marcos sempre ressaltava a importância de se buscar uma voz e um fraseado próprios, que não se tente copiar outros músicos, postura que não é recomendada pela maioria dos “professores” de improvisação que se encontram na praça. A maioria dos livros e métodos sobre o assunto apontam para o caminho da cópia como essencial para o aprendizado da arte de improvisar. O Marcos Amorim não foi o primeiro a defender essa outra posição, mas uma coisa é o cara falar, outra coisa é o cara falar e te mostrar como é que se faz.

Outra coisa que ele sempre enfatizava é a importância da composição, da harmonia, e a noção de que o que se costuma chamar improvisação (solos) deve ter seu peso dentro da música, e não se tornar a razão de ser dela. Ser músico é buscar o novo, novas sonoridades, novos acordes, novas paisagens, além da tentativa de imprimir uma marca, uma visão pessoal. E essa busca se dá, muitas vezes, através da composição. Espero ter sido bom aluno…

Mas o objetivo do post é apresentá-los ao som do Marcos Amorim, para isso coloco à disposição (para audição apenas, sem download) 6 belas composições que retratam diversos momentos de sua carreira. As 3 primeiras foram gravadas mais recentemente, as 3 últimas são mais antigas. Para todas as informações, use um dos links abaixo.

Como poderão perceber, Marcos desenvolveu uma concepção muito pessoal, sempre com temas e arranjos maravilhosos e improvisações cheias de inspiração e dosadas com total bom gosto. Como em tudo que se ouve, muitas referências estão presentes, mas o som é totalmente pessoal, rapidamente reconhecível.

Waterfall

Homenageando Garoto

Trenzinho pra Vera Cruz

Pro Tomás

O Pescador

Dona Anna

Para informações completas, discografia, compra de CDs e outros, visite o Site Oficial
Marcos Amorim no Myspace

Essas idéias e sons tiveram grande impacto na minha formação como músico. Portanto,  esse post é uma reverência ao artista e um agradecimento ao mestre. Muito obrigado, Marquinho!! Para finalizar, uma rápida história:

Durante o tempo em que estudei com o Marcos, frequentava um curso de harmonia que era dedicado quase que exclusivamente a analisar funcionalmente músicas conhecidas. Coversando com ele em sua casa (que ficava em uma ladeira no Cosme Velho que é cenário de livros do Machado de Assis), confuso com esses procedimentos e com as reais possibilidades de que pudessem me ajudar a compor (que no meu entender eram nulas), ele falou o seguinte:

“Análise só serve pra estudar depois que tá pronto. Esquece isso tudo, música você compõe um acorde, depois outro acorde… Não tem essa de análise, faz assim: um acorde, depois o outro… Isso vira um trecho. Então você faz um trecho, depois o outro…”

A partir daí não parei mais…

Walter Santos - Caminho - 1965

Walter Santos - Caminho

Olá,

temos aqui um disco de grande valor histórico, além de seu belo conteúdo musical. Atualmente fora de catálogo e nunca lançado em CD, “Caminho”, do violonista / cantor / compositor baiano Walter Santos traz algumas das primeiras gravaçãoes de Hermeto Pascoal[bb] como flautista. Walter foi um grande incentivador para Hermeto após sua chegada em São Paulo, um dos músicos que o motivou a estudar e tocar flauta profissionalmente.

As contribuições de Walter para a música brasileira não param por aí. Além de sua própria obra (considerado por muitos um dos artistas mais completos da Bossa Nova, cantor e compositor em proporções iguais e generosas) Santos é pai da grande Luciana Souza, e criou, ao lado de sua esposa Tereza Souza (letrista de todas as músicas do disco), o selo Som da Gente, responsável por inúmeros lançamentos (inclusive a maioria dos discos de Hermeto e Grupo) de música instrumental brasileira durante os anos 80.

Walter Santos - Caminho - 1965

1 - Caminho
2 - Diz
3 - Samba Pro Pedrinho
4 - Leva
5 - Manhã de Primavera
6 - Docemente
7 - Amanhã
8 - De Onde Vem Minha Tristeza
9 - O Bolo
10 - Vem Brincar de Ser Feliz
11 - Rosa, a Rosa
12 - Pai do Pai do Pai

Walter Santos (voz, violão)
Papudinho (trompete)
Hermeto Pascoal (flauta)
Walter Wanderley (órgão, piano)
Geraldo (baixo)
Arrudinha (bateria)

Todas as músicas compostas por Walter Santos/Tereza Souza

Baixe Aqui

Grande Abraço!!

Duas Ótimas Rádios de Rock Progressivo

//www.jlevinstudios.com 

Olá,

no post de hoje gostaria de,  rapidamente, recomendar duas excelentes web radios dedicadas ao Rock Progressivo[bb].

A primeira delas chama-se Aural Moon Progressive Radio e está no ar desde 1999. A programação engloba o Rock Progressivo em todas as suas variantes, trazendo muito material das bandas mais conhecidas (como King Crimson, Yes, Gentle Giant, etc…) ao lado de nomes obscuros. Ideal para os ouvintes pouco íntimos do estilo.

Ouça Aqui  - Visite o Site

A segunda chama-se Prog Palace Radio. A programação é sensacional, trazendo um número impressionante de ótimas bandas, em grande parte desconhecidas. A estação funciona como uma rádio convencional, com locutores, diferentes programas, e tudo muito bem feito.

Ouça Aqui - Visite o Site

Espero que divirtam-se!!

Yezda Urfa - Pérola esquecida do Rock Progressivo

Sacred Baboon

Olá,

 gostaria de falar um pouco sobre um grupo sensacional e inexplicavelmente desconhecido, o Yezda Urfa. O grupo é considerado (por uma minoria que o conhece) como uma das maiores lendas do chamado Rock Progressivo.

Gostaria de aproveitar a deixa e dizer que vejo mais similaridades entre grupos considerados de prog-rock e o tipo de música instrumental brasileira que eu gosto e costumo divulgar aqui no blog, do que em relação à maioria da música instrumental que se produz aqui no Brasil. O que quero dizer, é que vejo mais proximidade entre Gentle Giant[bb] e Hermeto Pascoal[bb], Yezda Urfa e Egberto Gismonti[bb], do que em relação à grande parte da música instrumental brasileira, que é extremamente simplista e estéril em idéias, criatividade e vivacidade. Recorre quase que inevitavelmente ao Jazz[bb] ou à tradição para embasar sua falta de riqueza.

Em parte, isso se dá porque a maioria dos grupos de música instrumental no Brasil é formado por pessoas que perderam completamente a noção do que significa um grupo de música, que é muito mais do que a reunião de pessoas com instrumentos na mão. Também ocorre porque a maioria dos músicos parece relaxar e construir suas carreiras sobre estéticas manjadas, sem aquele desejo de buscar algo pessoal e único, delegando essa postura à alguns “predestinados”, como se inquietude e vontade de conhecer o novo fosse um privilégio que lhes foi negado.

Mas o post é sobre o Yezda Urfa e eu não quero perder o foco dessa vez… O grupo tem uma história única: eles só lançaram um disco, que na verdade não foi lançado na época em que foi gravado, sendo descoberto e trazido à tona anos depois. O álbum em questão é “Sacred Baboon” , gravado em 1976 e lançado somente em 1989 (em LP), 8 anos após o término do grupo. O disco foi re-editado em CD alguns anos depois e atualmente está fora de catálogo.

Após o lançamento de “Sacred Baboon”, foram resgatadas as masters de uma demo gravada em 1975, lançada em CD com o título de “Boris“.

Separei 3 músicas de “Sacred Baboon” para que os amigos possam conhecer essa banda espetacular. Em destaque, além dos arranjos e composições sensacionais, as performances do baixista Marc Miller e do baterista Brad Christoff, essa última certamente entre as maiores que eu já ouvi. Completam o grupo Phil Kimbrough (teclados e outros), Mark Tippins (guitarra e vocais)  e Rick Rodenbaugh (voz).

Tota in the Moya

Flow Guides Aren’t My Bag

3 Almost 4, 6 Yea

Tendo em mente o que falei no começo do post, para mim não se trata de Rock Progressivo ou qualquer outra classificação. É simplesmente boa música. No caso do Yezda Urfa, das melhores!! Espero que gostem…

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Odd Time Obsessed Radio

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Olá,

seguindo com as recomendações de sites onde se pode ouvir boa música, aqui vai uma dica para quem curte os popularmente chamados “compassos quebrados” -  na verdade uma rádio virtual totalmente dedicada à músicas com compassos incomuns.

Para os não-músicos, basta entender que a maioria da música que escutamos é em compasso binário ou ternário (em que a música flui em ciclos de 2, 3 ou 4 pulsações). Nos compassos chamados ímpares, a música tem sua fundação em repetições de 5, 7, 9, 11, 13 (etc) pulsações, criando sensações rítmicas diferentes, muitas vezes surpreendentes (principalmente para nossos ouvidos ocidentais pouco acoustumados com esquemas rítmicos mais complexos). Falei um pouco sobre isso no post dedicado ao disco “Choro Ímpar” de Maurício Carrilho (todo com composições de Carrilho com essa característica).

Pois a Odd Time Obsessed tem sua programação totalmente composta por músicas com esse tipo de métrica - muito Rock Progressivo, música étnica-folclórica européia (é impressionante como a música folk de alguns lugares é ritmicamente complexa!) e Fusion, basicamente. Ou seja, muita coisa bacana que também pode ser uma ótima fonte para quem também  está interessado, além de ouvir e descobrir bons sons, em pesquisar um pouco mais sobre o assunto.

 Espero que gostem!! E, se possível, comentem :-)

Ouça Aqui ou visite o Site da Rádio.

Para Ouvir - Quarteto Novo (1967)

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Olá,

são raras as ocasiões em que, ao ouvirmos um disco pela primeira vez, podemos ter certeza de estarmos entrando em contato com uma obra revolucionária, perfeita, completa e fundamental. São momentos em que sentimos que alguma coisa mudou na nossa forma de ver e ouvir as coisas, como se um novo referencial para tudo aquilo que a gente já ouviu e vai ouvir passasse a existir. Nesses raros lapsos poéticos induzidos pela música, temos a sensação de estar ouvindo algo que consciente ou inconscientemente a gente sempre quis ouvir.

Certamente essa foi minha reação ao ouvir pela primeira vez o disco que disponibilizo para audição e deleite dos amigos do blog nesse post. Ele era tudo que eu queria ouvir e mais um pouco, claramente a gênese de um som que eu já conhecia e queria conhecer mais e mais.

O Quarteto Novo[bb] surgiu durante o período áureo dos festivais e das canções de protesto - inicialmente como trio - acompanhando Edu Lobo[bb] e Geraldo Vandré[bb] em suas históricas apresentações. Na verdade, o grupo foi o responsável por materializar e trazer aos ouvidos do grande público a sonoridade nordestina que se tornou a mais marcante característica da criação musical do período logo após a bossa nova.

Formado por nada mais nada menos que Airto Moreira[bb] (bateria e percussão), Théo de Barros[bb] (baixo acústico e violão), Heraldo do Monte[bb] (violão, viola, guitarra) e Hermeto Pascoal[bb] (piano, flauta e arranjos), o grupo gravou apenas um disco, cuja importância e influência é fácil de compreender  - O disco é um exemplo (e os músicos tinham essa proposta bem definida) da mais pura forma de tocar e improvisar brasileira. No jeito de compor, no fraseado dos improvisos e nos arranjos. Apesar da forte influência da música chamada “regional”, não se trata de música voltada para o passado. Muito pelo contrário, o disco é como um farol das possibilidades rítmicas e temáticas que seríam exploradas pelos músicos brasileiros (e continuam sendo até hoje) com o esgotamento da Bossa Nova (Hermeto Pascoal, por exemplo, nunca teve seu nome associado ao movimento carioca, apesar de ter participado do mesmo ativamente como pianista profissional no Rio de Janeiro, assim como todos os membros do Quarteto).

Bom, palavras não dão conta de quanto gosto desse disco e o considero fundamental, portanto… Ouçam!!

 Quarteto Novo (1967)

1 - O Ovo (Hermeto Pascoal)
2 - Fica mal com Deus (Geraldo Vandré)
3 - Canto geral (Hermeto Pascoal)
4 - Algodão (Luiz Gonzaga - Zé Dantas)
5 - Canta Maria (Geraldo Vandré)
6 - Síntese (Heraldo do Monte)
7 - Misturada (Airto Moreira)
8 - Vim de Sant’Ana (Théo de Barros)
9 - Ponteio (Edu Lobo - Capinan)
10 - O Cantador (Dori Caymmi - Nelson Motta)

play Clique para ouvir o CD

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Aqui está um video (um trecho do documentário “Quebrando Tudo” em que Hermeto e Heraldo do Monte falam sobre o grupo:

Para Ouvir - Miles Davis - Kind of Blue (1959)

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Começo aqui uma série de posts dedicados aos meus discos de Jazz prediletos. Sempre dediquei o conteúdo do blog à música instrumental brasileira, mas como tenho ouvido muito desse estilo recentemente e já dedico o podcast (que vai voltar em breve!) aos artistas brasileiros, resolvi aproveitar essa coluna (”Para Ouvir”) para abrir mais espaço para o Jazz aqui no blog. 

Para começar, não poderia escolher outro disco para postar que não este. Pode ser pelo fato de eu ter recentemente lido o livro que relata detalhadamente seu processo de criação, gravação e o contexto em que foi feito… Curiosamente, esse disco foi o responsável por meu “retorno” ao Jazz de forma intensa, justamente um álbum que é conhecido por introduzir muitas pessoas ao estilo, por ser a porta de entrada de muitos amantes da música ao Jazz. “Kind of Blue” é o segundo álbum mais vendido da história do Jazz, e ao ouví-lo é fácil saber porque. Mesmo para os leigos que não conhecem seu profundo impacto (o disco foi responsável por uma revolução sutil, principalmente na forma de se improvisar, que afetaria músicos e músicas do mundo inteiro), sua atmosfera e a beleza monumental de suas faixas seduz instantaneamente.

Por seu clima tranquilo, pelas diferentes personalidades representadas pelos três solistas principais (Miles Davis[bb] , John Coltrane[bb] e Cannonball Adderley[bb] - cada um abordando as harmonias de uma forma muito particular), pelo toque do piano de Bill Evans[bb], o disco capta um momento de rara efervescência na música americana (”Giants Steps” de Coltrane e “Time Out” de Dave Brubeck[bb], viriam logo a seguir). Todas as faixas - exceto “Flamenco Sketches” - são primeiros takes, o que ouvimos é a primeira interpretação de cada um dos temas. Os músicos certamente não sabíam que o que foi tocado naquelas duas sessões de gravação influenciaria toda a música que viria a seguir, e que sua popularidade seria tão duradoura (as vendas do disco crescem ano após ano) e estaria tão sólida quase 50 anos após seu lançamento.

Miles Davis - Kind Of Blue (1959) 

1 - So What
2 - Freddie the Freeloader
3 - Blue in Green
4- All Blues
5 - Flamenco Sketches
6 - Flamenco Sketches (Alternate Take)

play Clique para ouvir o CD - Problema corrigido 14/01/2008

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Para Ouvir - Trio Corrente (2005)

Trio Corrente

Olá,

escolhi um disco magistral para re-inaugurar nossa seção “Para Ouvir”, onde postarei discos que fizeram ou fazem a minha cabeça. Todos os discos recomendados nessa seção exerceram em mim um profundo impacto, sejam eles discos que fazem parte da minha formação ou coisas que descobri recentemente.

É importante lembrar que todo o material postado nessa seção estará disponível apenas para audição, sem downloads de material que está por aí no mercado. De fato, tenho andado assustado com os rumores de prisões por compartilhar música na internet, e espero que fique bem claro para todos os amigos do blog que meu intuito aqui ao postar shows não oficiais e discos para audição, é simplesmente divulgar a obra de grandes artistas, pelo genuíno prazer de ver essa grande música se espalhando e frequentando mais e mais cabeças.

De volta ao disco, descobri esse CD recentemente e foi uma grande alegria conhecer o som do Trio Corrente, trata-se de um grupo formado por músicos de grande criatividade e virtuosismo, capazes de recriar temas ilusoriamente “batidos” (principalmente por causa da falta de criatividade de quem os tocou) em arranjos de rara complexidade e beleza. O Corrente mostra que não existem limites na hora de re-arranjar velhas composições, a não ser a capacidade e o espírito de aventura dos músicos que as executam. O trio apresenta também alguns temas originais incríveis, sempre com arranjos detalhados e belíssimas harmonias criadas por Fábio Torres (piano), Paulo Paulelli (baixo) e Edu Ribeiro (bateria), os protagonistas dessa aventura musical. A sonoridade do disco (lançado pelo selo Maritaca) também é maravilhosa e simples, piano Rhodes, baixo e bateria dominando a maioria das faixas, sempre em perfeita sintonia. CD obrigatório!

1 - Lamento (Pixinguinha)
2 - Garota de Ipanema (Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
3 - O Jardim (Fábio Torres)
4 - Chorinho pra Você (Severino Araújo)
5 - Triste (Tom Jobim)
6 - Paulleliando (Paulo Paulleli - percussão vocal e baixo acústico)
7. Baião Doce (Paulo Paulelli)
8 - Murmurando (Fon Fon)
9 - Lamento Astral (Moacir Santos)
10 - Assanhado (Jacob do Bandolim)

Aproveito para pedir que os amigos comentem como funcionou o player, se tudo correu bem com o streaming e etc… E o que acharam do disco, é óbvio!

play Clique para ouvir o CD

Maurício Carrilho - Choro Ímpar

Choro Ímpar 

Olá,

no post de hoje, gostaria de recomendar um CD que não sai do meu player já há algum tempo. Trata-se de “Choro Ímpar”, do violonista / compositor / arranjador Maurício Carrilho[bb]. Como o próprio nome diz, o disco traz uma série de choros inéditos compostos por Carrilho, todos escritos em compassos ímpares.

Para os menos escolados no assunto, o choro é tradicionalmente em compasso 2 por 4 (os 2 tempos - fraco e forte - marcados pelo pandeiro), exceto nas valsas (que são em compasso 3 por 4 - imagine o “Danúbio Azul” e é fácil de sentir o ciclo de 3 pulsaçãoes por compasso). Neste CD, Maurício Carrilho faz uso de métricas incomuns ao estilo, muitas vezes excessivamente conservador. Não que seja alguma idéia genial, inúmeros compositores de música instrumental vem compondo em compassos incomuns há muito tempo, inclusive choros. Mas é interessante que um grande representante contemporâneo do estilo faça experimentações (bem sucedidas) deste tipo. Além disso, Carrilho é um compositor / arranjador de extremo bom gosto e personalidade, o que faz do CD uma obra-prima. E tratando-se de um estilo em que as inovações são introduzidas em doses homeopáticas, faz-se necessária a presença de CDs como esse. 

Coloco à disposição dos amigos do blog 4 faixas (para audição apenas, sem download), para que conheçam esse grande lançamento de Maurício Carrilho. Vale lembrar que o CD foi lançado pelo seu selo especializado em choro, o Acari Records (clique aqui para comprar o CD no site do selo), responsável por grandes lançamentos e um vasto catálogo dedicado ao Choro.

Canhoto Tramontano - 5/4

Cachaça - 7/8

Ladeira - 9/8

Seu Cristóvão - 3/4

Grande Abraço!!

Dorival Caymmi

 

Amigos,

Acho que os leitores do Desritmificações nesse ponto já perceberam minha admiração por Hermeto Pascoal e Itiberê Zwarg (pelo grande número de postagens dedicadas a esses grandes mestres), e sei que muitos visitam o blog procurando informações e sons desses dois artistas (sem dúvida meus prediletos). Mas se homenageá-los é um dos objetivos do blog, não é o único, então gostaria de falar a respeito de outros compositores que considero muito importantes, com o humilde intuito de expressar minha imensa admiração por esses mestres e estimular os visitantes do blog a conhecer mais sobre suas obras.

No post de hoje gostaria de mencionar o monstro Dorival Caymmi[bb]. Sei que pode parecer pretensioso da minha parte querer “apresentar” Caymmi (sua música) a alguém, mas pessoas com os mais variados backgrounds visitam o blog, então sempre vale a pena tentar.  Se conseguir fazer com que algumas (mesmo que poucas) pessoas se emocionem tanto quanto eu ao conhecer a música desses grandes mestres, a missão já estará cumprida! Na verdade tive vontade de escrever esse post após ouvir uma dessas músicas maravilhosas do Dorival Caymmi na Rádio Desritmificações.

As duas faixas que selecionei apresentam Caymmi em seu melhor “formato”. Ele e seu violão. Na verdade ele, sua gigantesca voz (capaz de abraçar o ouvinte gentilmente e levá-lo a um universo completo - imagens, sons, sensações),  seu jeito único de tocar violão e harmonizar e suas histórias, sua construção poética completa, letra, música e intérprete indivisíveis, organicamente entrelaçados.  O legado de Caymmi ecoa por todos os cantos do país, como que impregnado na musicalidade brasileira.   Ouça e ficará fácil entender do que estou falando.

O Vento

A Lenda do Abaeté

Baixe aqui 2 discos sensacionais de voz e violão (covertidos do vinil) do Dorival Caymmi no Loronix:

As Canções Praieiras de Dorival Caymmi (1954)

Caymmi e seu Violão (1959)

Não esqueça de conferir a Rádio Desritmificações, basta clicar no rádio amarelo no sidebar…

Grande Abraço!!

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