Arquivo para a categoria 'Impressões'

Leo Fender e uma idéia que mudou o mundo…

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Primeiro projeto do Precision já mais parecido ao atual

“Um contrabaixo elétrico e com trastes? Esse cara deve estar maluco!!”Comentário da época, dizem as más línguas que feito por um guitarrista… :-)

Ops! (Cai)tano Veloso

Valeu Caetano, essa vale a pena aplaudir! :-)

Luizão Maia ou Luís Pereira – Qual é o problema de ser “Sideman”?

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Hoje gostaria de divagar a respeito de um assunto que tem me ocorrido com certa frequência… Vejo cada vez menos importância e atenção dedicadas aos contrabaixistas que são ou foram grandes acompanhadores, em comparação ao destaque e à veneração que recebem os instrumentistas que abordam o baixo como instrumento solista, em especial aqueles que fazem uso de técnicas mais “modernas” e inusitadas.

Nõ vou ficar aqui discutindo as razões por que isso acontece, e não tenho nenhuma intenção de criticar negativamente os trabalhos destes músicos (uma vez que estaria generalizando, e cada um tem sua própria personalidade). Acredito que nosso instrumento evoluiu e se desenvolveu muito ao longo dos anos, e ainda há muito a ser feito com ele em todos os sentidos. Adoro a música de vários instrumentistas que buscam uma nova visão do contrabaixo e conseguem conciliar isso com uma música expressiva e artisticamente relevante. O que discuto é a falta de importância atribuída aos grandes acompanhadores.

Acredito que “os baixos” são uma função que precisa ser ocupada dentro de qualquer música. Seja pelo pianista, por um instrumento eletrônico, pelo Violão de 7 cordas, pela Tuba, a mão esquerda do Acordeon ou qualquer outro instrumento grave, existe uma faixa de frequências sonoras que precisa ser ocupada por alguém. E acontece que na maioria das vezes essa função é delegada a nós, baixistas. Acho que essa forma de arte tem, no Brasil e mais especificamente no baixo elétrico, sua figura central em Luizão Maia. Mas o número de grandes músicos que acompanharam artistas brasileiros em todas as épocas de nossa música popular e dedicaram suas vidas a cumprir essa função dentro da música é imensa, e pouco se fala a respeito dessa grande tradição de criadores de linhas de baixo existente no Brasil. Pretendo falar mais sobre esses grandes mestres em posts futuros.

Luís Pereira Quebrando Tudo

Eu, particularmente, adoro acompanhar. E acho que existem várias formas de se fazer isso, com variáveis graus de desenvoltura. Baixistas são como zagueiros. Existem aqueles que, além de grandes marcadores, tem grande habilidade e técnica. Sabem sair jogando, dominam a bola com facilidade, fazem passes redondos e desarmam os oponentes com precisão e classe. Mas nem por isso esses jogadores saem pro ataque o tempo todo como se não fossem defensores. A esses grandes jogadores, frequentemente se atribui a dádiva da classe e da elegância. É essa elegância e que devemos buscar em nossas linhas de baixo. Nos espelhemos em Luizão Maia e Luís Pereira!!  

Por enquanto gostaria só de abordar superficialmente esse assunto e vou ficando por aqui, lembrando que todos os grandes solistas (os verdadeiramente grandes) são ótimos acompanhadores. Termino com uma máxima de Hermeto Pascoal:

“Quem não acompanha bem não sola bem. Não tem jeito. Como o sujeito vai solar bem se ele não consegue ouvir e acompanhar direito os músicos com quem ele está tocando?” 

Pra polemizar deixo aqui um link para um artigo em inglês escrito por Alan Kurtz, cujo título é “How Bass Solos Ruined Jazz”. Um pouco exagerado, mas com um fundão de verdade. Fãs de Scott LaFaro não vão gostar nem um pouco.

Apito inicial!

 Olá!

Hoje dou início a esse espaço, um blog dedicado principalmente ao Contrabaixo, meu instrumento de coração, minha paixão e minha garantia de sobrevivência em todos os sentidos, mas podem chamá-lo de “O Mais Importante” ou “O Mais Bonito” dos instrumentos musicais, esses são títulos perfeitamente adequados ao nosso ilustre companheiro de 4 cordas.

Por aqui estarei postando transcrições, exercícios, estudos e impressões sobre o Contrabaixo e música em geral, com o objetivo de dividir e aprender ao longo desse processo. Como sempre, minha abordagem é a de que um instrumento musical é um ponto de partida para que percorramos caminhos que nos levam aos mais variados contextos e conceitos, e espero que isso se repita aqui no blog.

Para começar do jeito que a gente gosta, deixo uma faixa na qual não há um  baixista tocando. Pelo menos não no sentido tradicional. Trata-se de uma introdução improvisada por Hermeto Pascoal no piano elétrico para um espetacular arranjo seu para o clássico “Round Midnight” de Thelonius Monk.

Hermeto e Elis em Montreux

Hermeto e Elis em Montreux

Os que conhecem meu trabalho como músico e minhas iniciativas em divulgar a música instrumental brasileira na internet sabem de minha admiração por Hermeto. De fato, considero o mestre o maior músico brasileiro de todos os tempos. Chego a pensar que ele é uma espécie de enviado, cuja função é nos alertar e nos lembrar de até onde podemos levar a música, o quanto são infinitos os caminhos que ela nos abre.

Na minha humilde opinião, a maioria dos músicos, ao improvisar, caminha na corda bamba. Alguns, mais aptos, conseguem arriscar alguns movimentos mais arrojados e pequenos saltos sem cair. Já o Hermeto, esse toma impulso, corre e dá um pulo, se atira sem medo algum, de peito aberto. Sabe porquê? Porque Hermeto está absolutamente certo de que pode voar. Isso é o que ouvimos nessa improvisação do campeão. Um referencial, um farol para todos os músicos, contrabaixistas ou não. Acho a forma ideal de iniciarmos “os trabalhos” por aqui. Começando com o pé direito! 

Até a próxima…


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