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Curso de Slap em Video com Anthony Vitti

Deixo aqui  primeiros videos de uma série de aulas do Anthonny Vitti sobre Slap, postadas em seu canal no Youtube. Trata-se do curso de Slap mais conciso e útil que eu já achei na Internet.

As aulas tem ótimo conteúdo, organizado da seguinte forma: Dois vídeos iniciais com exercícios (os dois que posto aqui), altamente simples, diretos ao ponto. Para dominar os fundamentos do slap e poder aplicar a técnica em levadas, esses dois videos são tudo que você precisa.

Ou quase tudo. O resto da série traz uma levada a cada vídeo, explicada e tocada de forma cuidadosa por Vitti, aplicando os fundamentos estudados nos exercícios e desenvolvendo gradativamente a complexidade dos grooves. Dessa forma, um repertório de levadas já começa a ser criado, e essa é a aplicacnao prática de qualquer técnica – tocar música, e não a técnica em si!

Portanto, se você sempre quis aprender a tocar com a técnica de slap, ou simplesmente que dar uma revisada nos fundamentos e aprender algumas levadas novas (e bem legais), esses videos serão de grande utilidade. Palmas para Anthony Vitti, um dos educadores e baixistas de gravação mais conceituados nos EUA.

Visite o Canal do Anthony Vitti no Youtube para assistir aos outros videos.
Visite www.anthonyvitti.com e baixe os pdfs dos exercícios e levadas.

Single String Playing – Vizualização e Fraseado

Hoje gostaria de propôr um estudo que aprendi em um método de guitarra do Mick Goodrick.

Já ouvi muitas vezes grandes improvisadores em instrumentos de corda falarem de sua capacidade de enxergar o braço do instrumento com a clareza de um piano, onde a vizualização das notas é muito mais fácil.

Um bom começo para o desenvolvimento dessa capacidade é estudar escalas, arpejos e intervalos em cordas individuais. O que acontece é que cada corda é um piano (uma plataforma onde a altura das notas varia de forma linear, horizontal), então temos (no baixo de 4 cordas) 4 pianos sobrepostos.

Para começar a mapear o instrumento dessa forma, fica aqui um exercício: encontrar todas as notas da escala de C maior (as notas naturais, ou as teclas brancas do piano – C D E F G A B) em cada corda. Após mapear cada corda, o próximo passo é improvisar com alguma base harmônica (algumas sugestões – Dm7(9) ou F7+(9), ou F/E) em cada corda de uma vez. O tipo de fraseado será bem diferente do que normalmente usamos, mas não importa. O objetivo é desenvolver a vizualição do braço e uma intimidade quase táctil com os intervalos da escala em relação ao acorde.

Depois repita esse segundo passo usando pares de cordas adjacentes (G e D, D e A, A e E). Se quiser um desafio a mais, experimente fazer o exercício usando pares de cordas não adjacentes (G e A, D e E).

Em breve posto mais exercícios sobre este tópico, e sobre outras abordagens para desenvolvermos nossa vizualização de notas, acordes e escalas no braço do instrumento.

Qualquer dúvida estamos aí, e por favor me digam se está ou não dando os resultados esperados (sempre com calma, muita calma… por mais difícil que possa parecer)

Abraço grande!

Tocando Sobre Progressões Harmônicas – Arpejos e Suas Inversões

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Olá, em nossa primeira aula aqui no blog, começamos uma caminhada em direção ao desenvolvimento de uma habilidade essencial para qualquer músico popular: A capacidade de improvisar. Para alcançarmos esse objetivo, muitos trabalhos diferentes precisam ser realizados e em alguns deles sou só um bebê. Mas creio que orientações corretas podem levar a um resultado muito mais sólido, de forma muito mais prazerosa, e infelizmente não encontro esse tipo de orientação na maioria dos métodos que conheço sobre o tema. Ao longo de minha vida, muito pesquisei sobre o assunto, e após anos de tentativas, entre erros e acertos, acho que aprendi um caminho bem bacana para que possamos nos desenvolver como músicos. Acho que isso é o mais importante: estarmos sempre nos desenvolvendo e aplicando música ao nosso instrumento.

Antes de começar, gostaria de comentar duas coisas que poderão notar ao longo dessas aulas: a primeira é a ausência de qualquer estudo ligado à escalas. Penso que elas tem sua importância (para o desenvolvimento técnico e para o estudo de percepção), mas creio que tem pouca utilidade para o estudo da improvisação. Acredito que estudos de arpejos tem muito mais relevância, uma vez que estão mais profundamente ligados à harmonia. Além disso, livros e sites com estudos de escalas são facilmente encontrados por aí.

Esse é o segundo ponto que preciso ressaltar: Não existe músico, em especial baixista, que não estude harmonia. E por estudar harmonia não quero dizer estudar teoria musical relativa aos acordes. Me refiro à uma intimidade auditiva com os acordes que precisa ser desenvolvida por qualquer músico interessado em improvisar. Para isso, em todas as aulas escreverei, além das cifras, montagens de piano para cada acorde das progressões, com montagens utilizadas no mundo real, funcionando como uma espécie de “curso de piano prático para não pianistas”. Como disse o legendário baixista e educador Rufus Reid: “eu não toco piano, mas sou amigo e estou sempre em contato com ele”. Rufus é um dos baixistas que em seu fundamental método “The Evolving Bassist”, ressalta a importância de se desenvolver uma “amizade” com os acordes ao piano.

Bom, dito isso, vamos colocar as mãos na massa. O estudo de hoje foi criado em cima da harmonia do standard “Blue Bossa”, de Kenny Dorham. Esse é o meu método para destrinchar as harmonias de músicas com mudanças de acordes. Esses exercícios não tem nenhuma aplicação prática (você nunca vai tocá-los em nenhuma música), mas seus resultados para a visualização das mudanças harmônicas no braço e para a assimilação do som da harmonia pelo cérebro e pelos ouvidos é notável. Conceitualmente é muito simples, mas sua realização no instrumento é que promove os resultados.

Para cada acorde da música, tocaremos os arpejos de 4 notas (T 3 5 7 ou T 3 5 6) referentes a cada um deles. No primeiro exemplo, tocamos os arpejos em estado fundamental; no segundo, na 1a Inversão (3a no grave), e depois em 2a e 3a Inversões (5a e 7a ou 6a no grave, respectivamente).

Exemplo 1 – Estado Fundamental

Exemplo 2 – 1a Inversão

Exemplo 3 – 2a Inversão

Exemplo 4 – 3a Inversão

Base Harmônica (Clique com botão direito + “Salvar Destino Como”)

Com isso, seremos capazes de vizualizar as mudanças harmônicas por todo o braço, e de várias formas diferentes. Além disso, ficamos com a harmonia absolutamente entranhada nos ouvidos, uma vez que a cercamos por todos os lados possíveis. Os exercícios podem ser tocados no tempo, com metrônomo, mas o mais importante é realizá-los, devagar, dando tempo para cérebro, dedos e ouvido assimilarem a informação. Desse modo, o estudo passa a ser realmente cumulativo. O ideal é que os exemplos sejam cantados tocando os acordes no piano, em especial o número 1. Não canso de falar da importância de se aprender esses acordes ao piano, sua intimidade com a música só vai crescer e você vai se tornar um baixista muito mais consciente harmonicamente.

Deixo aqui para audição os 4 exemplos, suas partituras pra download (clique sobre o nome do exemplo) e um acompanhamento harmônico para ser usado para estudo. Vocês poderão ver que não coloquei nenhuma tablatura ou digitação, descobrir esses shapes no braço faz parte do estudo. As oitavas são opcionais e o andamento, hipotético.

Pra terminar a aula de hoje, deixo uma frase do meu mestre Itiberê Zwarg:

 ”Pra se tornar um grande baixista, não é preciso estudar ou idolatrar ninguém. Devemos cultuar e estudar os elementos da música em nossas cabeças e em nossos instrumentos – Ritmo, Harmonia e Melodia. O resto deixa que eles fazem!”

Estudos Barrocos (e nem tanto)

BachBassist

Olá,

hoje gostaria de falar sobre um tema muito interessante que são os arpejos de acordes, suas inversões e aplicações melódicas. Mais do que isso, vou falar sobre como peças barrocas podem ser utilizadas como ótimo material de estudo nessas áreas.

Sempre ouvi músicos (especialmente estrangeiros) recomendando que instrumentistas de música popular estudassem peças de Bach e outros compositores barrocos como forma de aprender os desenhos dos arpejos e suas aplicações práticas. Na verdade sempre me fez total sentido, uma vez que muitas composições barrocas (em especial as para instrumento solo) são totalmente baseadas em arpejos e suas inversões, em movimento rítmico constante, e o que ouvimos é melodia-harmonia em uma só textura, harmonia em movimento, por assim dizer.

Quando comecei a estudar esse tipo de peça, realmente pude compreender porque aqueles músicos recomendavam esse tipo de estudo. Aplicar esse tipo de melodia ao contrabaixo é uma maneira eficaz e divertida (pelo menos pra mim) de se aprender a aplicação dos arpejos, os desenhos pelo braço e - o mais importante – o som dessas coisas todas.  

Entre algumas das peças desse estilo que estudei, deixo aqui as partituras de 3 delas. Uma é um prelúdio muito conhecido de Bach. É importante analisar os arpejos presentes na melodia e transpor esses “shapes” para outras tonalidades de forma isolada, assim o estudo tem muito mais resultado.

As duas outras foram criadas com inspiração na música do período Barroco, uma delas (composta por Tommy Shannon, do Double Trouble) é um estudo de arpejos bem simples em Lá menor.

 O outro, o mais difícil dos três, é o “Prelúdio em Cm” do mestre Nico Assumpção. Além de dificuldades técnicas, esse estudo apresenta uma rítmica mais complexa que os outros dois, e é importante (sobretudo entre os compassos 29 e 35) memorizar o sentido rítmico das frases, uma vez que os compassos mudam mas a escrita está toda em 3/4. Recomendo a seguinte ordem:  1-Classical Gas (Tommy Shannon), 2-C Major Prelude (Bach), 3-Prelúdio em Cm (Nico Assumpção).

Classical Gas (Tommy Shannon)

Prelude #1 in C Major (Bach)

Preludio C Menor (Nico Assumpção)

Para estudos similares com uma característica mais brazuca, recomendo o estudo de melodias de choro, em especial as do mestre Pixinguinha. São totalmente baseadas em arpejos, e ao estudá-las podemos acessar esse material manipulado por um grande mestre.

Essa é a grande “moral da história” desses estudos. Em última instância, temos a oportunidade de entrar na cabeças de mestres como Bach, Nico ou Pixinguinha e descobrir como eles transformaram esses arpejos em música! E é isso que queremos tocar em nosso instrumento. Música!! Qualquer dúvida estamos aí.

Grande abraço e bons estudos!!


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