Tocando Sobre Progressões Harmônicas – Arpejos e Suas Inversões

picture

Olá, em nossa primeira aula aqui no blog, começamos uma caminhada em direção ao desenvolvimento de uma habilidade essencial para qualquer músico popular: A capacidade de improvisar. Para alcançarmos esse objetivo, muitos trabalhos diferentes precisam ser realizados e em alguns deles sou só um bebê. Mas creio que orientações corretas podem levar a um resultado muito mais sólido, de forma muito mais prazerosa, e infelizmente não encontro esse tipo de orientação na maioria dos métodos que conheço sobre o tema. Ao longo de minha vida, muito pesquisei sobre o assunto, e após anos de tentativas, entre erros e acertos, acho que aprendi um caminho bem bacana para que possamos nos desenvolver como músicos. Acho que isso é o mais importante: estarmos sempre nos desenvolvendo e aplicando música ao nosso instrumento.

Antes de começar, gostaria de comentar duas coisas que poderão notar ao longo dessas aulas: a primeira é a ausência de qualquer estudo ligado à escalas. Penso que elas tem sua importância (para o desenvolvimento técnico e para o estudo de percepção), mas creio que tem pouca utilidade para o estudo da improvisação. Acredito que estudos de arpejos tem muito mais relevância, uma vez que estão mais profundamente ligados à harmonia. Além disso, livros e sites com estudos de escalas são facilmente encontrados por aí.

Esse é o segundo ponto que preciso ressaltar: Não existe músico, em especial baixista, que não estude harmonia. E por estudar harmonia não quero dizer estudar teoria musical relativa aos acordes. Me refiro à uma intimidade auditiva com os acordes que precisa ser desenvolvida por qualquer músico interessado em improvisar. Para isso, em todas as aulas escreverei, além das cifras, montagens de piano para cada acorde das progressões, com montagens utilizadas no mundo real, funcionando como uma espécie de “curso de piano prático para não pianistas”. Como disse o legendário baixista e educador Rufus Reid: “eu não toco piano, mas sou amigo e estou sempre em contato com ele”. Rufus é um dos baixistas que em seu fundamental método “The Evolving Bassist”, ressalta a importância de se desenvolver uma “amizade” com os acordes ao piano.

Bom, dito isso, vamos colocar as mãos na massa. O estudo de hoje foi criado em cima da harmonia do standard “Blue Bossa”, de Kenny Dorham. Esse é o meu método para destrinchar as harmonias de músicas com mudanças de acordes. Esses exercícios não tem nenhuma aplicação prática (você nunca vai tocá-los em nenhuma música), mas seus resultados para a visualização das mudanças harmônicas no braço e para a assimilação do som da harmonia pelo cérebro e pelos ouvidos é notável. Conceitualmente é muito simples, mas sua realização no instrumento é que promove os resultados.

Para cada acorde da música, tocaremos os arpejos de 4 notas (T 3 5 7 ou T 3 5 6) referentes a cada um deles. No primeiro exemplo, tocamos os arpejos em estado fundamental; no segundo, na 1a Inversão (3a no grave), e depois em 2a e 3a Inversões (5a e 7a ou 6a no grave, respectivamente).

Exemplo 1 – Estado Fundamental

Exemplo 2 – 1a Inversão

Exemplo 3 – 2a Inversão

Exemplo 4 – 3a Inversão

Base Harmônica (Clique com botão direito + “Salvar Destino Como”)

Com isso, seremos capazes de vizualizar as mudanças harmônicas por todo o braço, e de várias formas diferentes. Além disso, ficamos com a harmonia absolutamente entranhada nos ouvidos, uma vez que a cercamos por todos os lados possíveis. Os exercícios podem ser tocados no tempo, com metrônomo, mas o mais importante é realizá-los, devagar, dando tempo para cérebro, dedos e ouvido assimilarem a informação. Desse modo, o estudo passa a ser realmente cumulativo. O ideal é que os exemplos sejam cantados tocando os acordes no piano, em especial o número 1. Não canso de falar da importância de se aprender esses acordes ao piano, sua intimidade com a música só vai crescer e você vai se tornar um baixista muito mais consciente harmonicamente.

Deixo aqui para audição os 4 exemplos, suas partituras pra download (clique sobre o nome do exemplo) e um acompanhamento harmônico para ser usado para estudo. Vocês poderão ver que não coloquei nenhuma tablatura ou digitação, descobrir esses shapes no braço faz parte do estudo. As oitavas são opcionais e o andamento, hipotético.

Pra terminar a aula de hoje, deixo uma frase do meu mestre Itiberê Zwarg:

 ”Pra se tornar um grande baixista, não é preciso estudar ou idolatrar ninguém. Devemos cultuar e estudar os elementos da música em nossas cabeças e em nossos instrumentos – Ritmo, Harmonia e Melodia. O resto deixa que eles fazem!”

2 Respostas para “Tocando Sobre Progressões Harmônicas – Arpejos e Suas Inversões”


  1. 1 Aloysio Leivas Maio 27, 2009 às 7:53 am

    Parabenizo o autor pelo excelente trabalho e grandiosidade em seu carater em divulgar gratuitamente esse sistema, sou lutier e violonista atualmente me iniciando no estudo do piano e me disponibiliso no que me for possível.
    Aloysio Leivas

  2. 2 Nelton Vinícius Maio 27, 2009 às 6:43 pm

    Olá Ricardo! Primeiramente gostaria de lhe parabenizar por suas iniciativas em divulgar a boa música brasileira e agora esse espaço para os baixistas. Eu também compartilho da sua opnião quanto ao uso de escalas na improvisação. Além desse estudo dos arpejos seguindo as inversões, um estudo que recomendo e que me ajudou muito, é tocar apenas as notas dos acordes de uma progressão porém tocando estas notas apenas em uma corda de cada vez. Desse modo, evita o vício de decorar apenas os shapes dos arpejos e pensar nas notas mesmo que formam cada acorde.É importante manter uma divisão ritmica constante para treinar a velocidade do pensamento. A velocidade no metrônomo não importa. Além desse método ajudar muito a conhecer melhor o braço do instrumento. Bem, fica aí uma dica pro pessoal! Abração!

    Nelton Vinícius


Deixe uma resposta




Categorias

Arquivo

Sua Ajuda